quinta-feira, 16 de setembro de 2010

sucessão

A grande sorte do presidente Lula foi ter tido um ótimo antecessor. Mas seu sucessor não terá a mesma sorte".

Com este primoroso tiro, o economista Ricardo Haussmann, professor de Harvard, acertou os dois alvos que visava -  e mais um, também correto, que não visava. 

O primeiro acerto de Hausmann  foi colocar o cotejo dos governos Fernando Henrique e Lula na perspectiva correta. 

O  confronto "ponto a p0nto" de suas realizações com as  de Fernando Henrique foi a mega-bobagem que Lula conseguiu fazer descer pela goela eleitoral da maioria dos brasileiros.  Quem fez mais disso ? Quem fez mais daquilo ?

A realidade é que o governo Lula foi praticamente viabilizado pelo de Fernando Henrique.  Lula foi poupado de graves riscos pelas reformas efetivadas por seu antecessor. Lula e o Brasil, evidentemente :  sem tais reformas, o país  teria sucumbido  à hiper-inflação e provavelmente a conflitos sociais de dificílimo manejo.  

O outro alvo atingido por Ricardo Haussmann foi  a situação que possivelmente iremos atravessar nos próximos anos. Não preciso mais que transcrever um trecho da matéria de Érica Fraga hoje na Folha :

"Todo mundo sabe que o presidente Lula tem sido superpopular e ele construiu um capital político enorme. Mas esse capital político enorme não se traduziu em nenhuma reforma significativa durante seu segundo mandato [2007-2010].

Ele não tem nada a mostrar em termos de ter resolvido problemas antigos relacionados à baixa taxa de poupança, ao sistema de previdência, à infraestrutura, a ter uma estrutura tributária mais normal e funcional".

O terceiro ponto alvejado – agora sou eu e não Hausmann quem fala -  foi a campanha presidencial de  José Serra. 

A opção de não dar ênfase aos avanços logrados por Fernando Henrique foi desastrosa sob vários pontos de vista. Com ela, Serra simplesmente abriu mão de mostrar o que o PSDB tem de melhor em sua bagagem.

Deixou o flanco aberto à crítica de estar "escondendo" o ex-presidente. Ficou com um discurso que parece não ter espinha dorsal.  E reforçou, sem o desejar, um aspecto negativo da imagem pública do PSDB : o de um partido cheio de caciques que não se entendem.

Isso tudo, a quem aproveita ? Ao adversário, obviamente. E aproveitará muito mais se as mudanças necessárias não forem feitas – ou tardarem a ser feitas.

 

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