domingo, 10 de outubro de 2010

privatização e aborto autor Dimenstein

Não acredito (e quem acreditar é tolo) nessa pregação de José Serra contra o
aborto. É só um jeito de atacar Dilma Rousseff, preferindo colocar a fé
acima da saúde pública, num jogo baixo. Ele sabe que seria um mal menor o
poder público ajudar as mulheres que necessitam de um aborto.

Ver um intelectual, ex-ministro da Saúde, agindo desse jeito apenas mostra o
poder da fé contra a racionalidade. De certa forma, é o que ocorre no debate
da privatização, também atiçado pelas eleições, dessa vez pelo PT, por causa
das eleições, para atacar o PSDB. É mais uma questão de fé.

Parece que pouco importa o fato de que qualquer pessoa hoje, mesmo as mais
humildes, tenham acesso a um telefone. Até pouco tempo, telefone entrava na
declaração de imposto de renda. Ou que empresas falidas ou quase falidas se
tornaram eficientes, não sugam dinheiro público e pagam impostos. Ou as que
já eram tidas como eficientes ( Vale) ficaram mais eficientes e pagam muito
mais impostos. Pouca adianta mostrar os avanços em termos tecnológicos de
empresas como CSN e Embraer.

Estudos de economistas mostram que, de forma geral, essa foi a regra das
empresas privatizadas, muitas delas antes cabides de empregos.

Assim com no debate do aborto em que Serra aparece como um pregador cristão,
o debate sobre a privatização é tão irracional que o PT resolveu colocar o
tema das privatizações para minar o PSDB, sendo que, nos últimos 8 anos,
Lula não desfez as privatizações. E mais, privatizou (corretamente) milhares
de quilômetros de estadas federais. Ainda bem que Lula não faz o que fala.

É preciso ter muita fé e contrariar todas as evidências para achar que o
Estado é bom empresário. Pode ser bom empregador.

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